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11 de dez de 2014

ALGUMAS VERDADES SOBRE A AUTOPUBLICAÇÃO






É isso aí, agora que já contei todos os meus truques para me obrigar a começar e terminar meus textos, é hora de ingressar pelo território desconhecido e movediço da autopublicação.
Minha primeira experiência foi em 2013, depois de batalhar uma editora e só conseguir ofertas que não tinham nada de tentadoras. Claro, as editoras pagas prometem mundos e fundos: colocar você na bienal, incluí-la em catálogos super conceituados, coisa e tal, mas pelo que vi a realidade para a maioria é outra: montes de livros empilhados dentro de casa; divulgação apenas inicial e coletiva, ou seja, junto com outros autores de gêneros e públicos diferentes; um dinheirão gasto e pouca logística de divulgação e distribuição. Claro, não é o que acontece com todo mundo, mas eu sou adepta da Lei de Murphy, e sempre penso que a frustração total é o que seguramente vai acontecer. Pode parecer derrotismo mas, com essa ideia, tudo o que vem de bom é sempre uma alegria, e o que acontece de errado acaba sendo o esperado.
Enfim, por tudo isso e por não ter nada a investir naquele momento, resolvi arriscar a edição independente e comecei onde todo autor independente já ouviu falar: a Amazon. Mas, como eu também queria um livro impresso, busquei alternativas e cheguei ao Clube de Autores, site de autopublicação que imprime sob demanda.
Preparei as etapas iniciais: revisão do texto, que já estava pronto há algum tempo; diagramação segundo orientações do site da Amazon (o manual é muito fácil de seguir, e é super-recomendado que se siga mesmo) e uma segunda pasta com a diagramação para o livro convencional do Clube de Autores; preparo do arquivo – o kdp, para a Amazon, e o pdf, para o Clube. Então passei o trabalho para a capa.
Bom, além de escrever eu desenho (aliás, comecei a desenhar antes de começar a escrever histórias), e muitos dos meus trabalhos são ilustrações do meu Mundo de Bhardo. Juntei os conhecimentos que a faculdade de Design me deu, uma tela que pintei anos antes, ilustrando uma das cenas principais do livro e voilà! Criei minha capa. Tudo bem que foram alguns dias trabalhando mais ou menos duas ou três horas por noite até terminar. Se eu não gostava do resultado, começava tudo de novo.
Coloquei meu livro nas plataformas para que estivesse disponível em 22/02/2013, data do meu aniversário de 28 anos, um presente para mim mesma. Naquela primeira publicação o livro se chamava “A fantástica história do Mundo de Bhardo – Octoforte e os Objetos Supremos, Parte I”. Sim, um título enorme, mas eu tinha esse “A fantástica história…” na cabeça e resolvi seguir com ele.
Daí você me pergunta: e as vendas Lívia, como foram? Vou relembrar: em termos de marketing sou uma negação. Fiz um grande esforço para fazer uma divulgação pelo facebook (única rede que eu conhecia e usava na época), contei para os meus colegas de trabalho e familiares, mas não saiu disso. Algumas pessoas dos grupos de escritores de que eu participava se interessaram, mas, no geral, as vendas foram proporcionais ao meu empenho (eu acho que menores, mas, enfim): no início até tive algumas, depois passei meses sem ter uma venda sequer.
Eis os números sinceros: até lançar o segundo livro eu tive apenas 39 downloads na Amazon, e mais 32 vendas físicas do Clube de Autores, estes praticamente todos comprados por familiares. Dos downloads, 29 foram baixados durante promoções de download mais barato ou gratuito. Depois do lançamento do segundo volume em 2014, tive mais 155 downloads, mas 146 foram baixados nas mesmas condições promocionais, além de mais 09 vendas do físico, um total de 235 livros nas mãos de outras pessoas de alguma forma.
Pode parecer um número irrisório, principalmente pelos downloads gratuitos, mas eu me convenci de que era um número razoável, principalmente depois de ver que tive alguns downloads (todos pagos) pela plataforma Amazon da França, Japão e Estados Unidos. No entanto, foi eu parar de divulgar e as vendas cessaram por completo, deixando meus relatórios mensais como os batimentos cardíacos de um defunto.
Aí vem a próxima parte da minha saga pessoal de publicar minha saga fantástica: meu novo plano. Mas este fica para o próximo post.

Só pra relembrar: acesse www.bhardo.net e descubra como adquirir seus exemplares do Mundo de Bhardo!

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2 comentários:

  1. Penso que o caminho a ser percorrido é longo. Também já tenho minha bagagem de frustrações acumuladas, mas já tenho também boas histórias para contar, como a de um garoto que comprou o meu livro numa livraria e soube que eu estava na cidade (em Urubici/SC). De alguma forma ele conseguiu meu telefone celular e pediu para eu autografar o livro. O teu relato reflete nossa realidade como escritores em início de carreira, mas transparece também aquilo que nós precisamos para manter o sonho: esperança de dias melhores. Hoje eu baixei o teu livro e vou lê-lo e escrever sobre ele em meu blog. Sinto que devo fazer minha parte, para que todos nós, sonhadores em tempo integral, continuemos a seguir nossos destinos.

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  2. Obrigada pelo apoio! Tudo isso é verdade, e também aquele velhíssimo ditado "a esperança é a última que morre". No nosso caso, a perseverança deve ser a última a morrer. No início do ano dei uma entrevista a um blog que, incrivelmente, pertence a uma pessoa da minha cidade e que ganhou meu livro de presente. Coincidência, destino, não sei, mas estas pequenas coisas dão fôlego para continuar.

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