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24 de out. de 2014

O NASCIMENTO DE BHARDO



     Eu queria compartilhar um pouquinho do processo de nascimento e materialização do Mundo de Bhardo, até se tornar a história em forma de livro que é hoje.
     Como já contei, comecei a esboçar essa história aos 11 anos. Não foi minha primeira incursão no mundo da escrita; antes disso tinha escrito e ilustrado um pequenino livro infantil chamado "Os trilares", sobre alienígenas com cabeças em forma triangular que visitavam a casa de um menino à noite. Não me lembro bem da história, que devia ter cerca de dez páginas, mas me lembro que a aparência dos alienígenas era parecida com a de um robô. Tenho certeza de ter visto esse livrinho guardado entre as relíquias de minha mãe um tempo atrás... Quem sabe ainda não está com ela?
     Bhardo começou a se delinear em minha mente quando o canal em que passava o desenho animado de que eu mais gostava parou de funcionar na minha casa. Como qualquer criança eu fiquei frustrada, assistir TV era meu maior passatempo. Para extravasar, decidi que se eu não podia assistir ao desenho, eu mesma faria meu próprio desenho animado, seguindo aquele método de animação que desenha personagens em cantinhos da folha e que, passando-as rapidamente, se percebe o movimento (sim, eu achava que poderia, sozinha, produzir um desenho animado inteiro assim!)
     Obviamente, percebi muito rápido que eu jamais conseguiria tamanha proeza, mas não desisti dos personagens que já tinha imaginado. Mudei meus planos e, em um diário cor-de-rosa que tinha ganho de presente, decidi registrar minha história inventada, que era centenas de vezes mais interessante do que os causos da minha vida de criança.
     A história daquele diário é muitíssimo diferente desta que hoje apresento a vocês, e muito próxima do tal desenho animado de que eu gostava, tanto que, dela, só alguns poucos nomes de personagens foram mantidos. Mesmo assim, aquele diário cor-de-rosa foi crucial para mim, pois preenchê-lo com aquela realidade fantasiosa foi uma experiência tão prazerosa que se tornou viciante.
     Vou procurar o diário cor-de-rosa e o pequeno livrinho infantil sobre ETs com cabeça de triângulo. Se encontrá-los, postarei para vocês darem uma olhada. É impressionante o quão alto uma criança pode sonhar...
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22 de out. de 2014

Abascanto – A sombra dos Caídos, Diogo de Souza (Resenha)





Sinopse

Em uma rua isolada da cidade, três seres se materializam em pleno ar. Grigori: guardiões de outra dimensão que lutam para proteger a humanidade da influência de seus irmãos caídos.
Érico nunca imaginou que eles sequer existiam, ou que seu pai fosse um deles. Após testemunhar uma luta entre estes seres, sua vida se transforma em uma corrida para salvar a si mesmo, sua família, seus amigos.
Sua única vantagem: o Abascanto, ser imune aos poderes sobrenaturais dos caídos e dos grigori. Com ele, terá de impedir os planos que um ser de sete mil anos tem para a humanidade...
E rezar para que a irmã faça a escolha certa.

Fonte e link para compra por menos de R$ 3,00: 

Resenha

A história se passa nos dias atuais e, embora não se mencione isso em nenhuma passagem do livro, fica claro que os grigori e os caídos são a versão do autor para anjos e demônios. O livro começa em uma batalha entre três grigori e dois caídos. Os cinco lutam com espadas, cada um no seu estilo. Logo depois, o leitor é levado a conhecer Érico, que a princípio é um garoto normal, mas que consegue enxergar coisas que outras pessoas não veem. Quando ele vê uma pessoa ser misteriosamente assassinada no meio da rua numa luta de espadas que só ele consegue ver, se envolve no mundo dos grigori e dos caídos, e acaba descobrindo que é filho de um deles.

Considerações
O livro é muito bem escrito e as lutas são elaboradas e detalhadas. Algumas vezes as achei um pouco exageradas, pois me perdi um pouco no meio delas, e acredito que o autor seja praticante de artes marciais, tanto pelo conhecimento de golpes, tipos de espadas e posições, quanto por seu gosto por detalhar as batalhas.
O livro é agradável de ler, porém o argumento é um pouco batido (luta do bem contra o mal). A explicação do porquê de os tais seres virem de seu mundo sobrenatural, tantas vezes evocado como um lugar de maravilhosa paz e plenitude, ficou um pouco vaga. No fim, fiquei com a impressão de estar no meio de uma disputa de anjos e demônios pelo controle da Terra apenas por caprichos próprios, algo como se vê em Constantine. Além disso, a história tem um foco muito forte nas lutas de espadas entre os personagens, e tive a sensação que a parte psicológica deles ficou em segundo plano, já que só se vê as emoções mais imediatas o tempo todo: raiva, vingança, ansiedade. A personagem Aline é, talvez, a mais contraditória da trama, defendendo o homem que matou seu pai biológico e tentou matar o pai adotivo, o irmão, a tia e tem planos de dizimar a humanidade. Fortalecendo o foco principal, o modo como o rapaz mata sua algoz Belial é a parte mais impressionante e interessante da história.

Conclusão:
Há muitos pontos positivos, como o fato de o livro ser muito bem escrito. Achei o enredo um pouco fraco, muita coisa poderia ser mais trabalhada. Porém os fãs de artes marciais e de lutas com espadas provavelmente irão se deleitar com as batalhas intrincadas. 

Esta resenha também está no Skoob!  

Abraços!

21 de out. de 2014

CONCEITO DE PARGAIA



Já pensei em desativar este blog diversas vezes, mas a verdade é que, ainda que eu seja preguiçosa e não escreva quase nunca, eu gosto dele. Gosto das imagens do cabeçalho, desenhadas cuidadosamente e com grande carinho. Gosto das cores e da textura que aplico como plano de fundo. Gosto da sonoridade da palavra “Pargaia” e, sobretudo, gosto do significado que o blog tem para mim.

Também tentei dar vida a outros blogs, mas nunca tive muito empenho nem entusiasmo. Exceto pelo último que usei com mais frequência, o “mundodebhardo.blogspot.com”, nenhum dos outros teve mais que uma ou duas postagens. Alguns nem uma.

Nesta semana decidi recomeçar e tentar fazer uma última tentativa de fazer o Pargaia funcionar. Então, se é pra recomeçar, quero fazer isso do começo.

Pargaia era pra ser um espaço para colocar meus sonhos e devaneios — aqueles que tenho acordada e também aqueles que tenho ao dormir. É o lugar por onde a mente vaga quando está entre a lucidez e o sonho ao colocarmos a cabeça no travesseiro. É, pra mim, de onde saem as cores do pintor, as notas do músico, as letras do escritor, a inspiração para o artista. 

Quando criei o blog em maio de 2006 eu buscava um espaço para expor pedacinhos disso tudo: meus desenhos e pinturas e, talvez, alguns de meus textos. Coloquei alguns desenhos, e vários já tirei do ar. Coloquei algumas fotos e não aguentei mantê-las ali. E os textos… Bem, procurei mantê-los o mais distante possível da publicidade por achar que não eram bons o bastante.

Mas isso mudou. Tomei coragem, e decidi compartilhar com vocês um pouquinho mais dos sonhos que me movem todos os dias, tanto os que me fazem desenhar quanto os textos. E vou contar como tem sido a experiência de me lançar como escritora independente — sem editora, sem verba, sem auxílio de marketing profissional nem nada assim. E, se alguém achar interessante ou de alguma ajuda, que fique a vontade para opinar, perguntar, ou só pra ler mesmo. 

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22 de set. de 2014

U2 - Every Breaking Wave






U2 - Every Breaking Wave

Every breaking wave on the shore
Tells the next one there'll be one more
And every gambler knows that to lose
Is what you're really there for
Summer I was fearless
Now I speak into an answer phone
Like every falling leaf on the breeze
Winter wouldn't leave it alone
Alone

If you go?
If you go your way and I go mine
Are we so?
Are we so helpless against the tide
Baby every dog on the street
Knows that we're in love with defeat
Are we ready to be swept off our feet
And stop chasing
Every breaking wave

Every sailor knows that the sea
Is a friend made enemy
And every shipwrecked soul, knows what it is
To live without intimacy
I thought I heard the captain's voice
It's hard to listen while you preach
Like every broken wave on the shore
This is as far as I could reach

If you go?
If you go your way and I go mine
Are we so?
Are we so helpless against the tide
Baby every dog on the street
Knows that we're in love with defeat
Are we ready to be swept off our feet
And stop chasing
Every breaking wave?

The sea knows where are the rocks
And drowning is no sin
You know where my heart is
The same place that yours has been
We know that we fear to win
And so we end before we begin
Before we begin

If you go?
If you go your way and I go mine
Are we so?
Are we so helpless against the tide
Baby every dog on the street
Knows that we're in love with defeat
Are we ready to be swept off our feet
And stop chasing
Every breaking wave?

Tradução / Interpretação
Cada onda que quebra na costa
Avisa a próxima que haverá mais uma
E cada jogador sabe que é para perder
A verdadeira razão de jogar
No verão eu era destemido
Agora eu falo por uma máquina de respostas
Como cada folha que cai na brisa
O inverno não vai deixá-lo em paz
em paz

Se você for?
Se você seguir o seu caminho e eu seguir pelo meu
Será que somos assim?
Será que somos tão indefesos contra a maré
Baby, cada cão na rua
Sabe que estamos apaixonados pela derrota
Estamos prontos para tirados do chão
E parar de perseguir
Cada onda que quebra

Todo marinheiro sabe que o mar
É um amigo feito um inimigo
E cada alma de náufrago, sabe o que é
Viver sem intimidade
Eu pensei ter ouvido a voz do capitão
É difícil ouvir enquanto você prega
Como toda onda quebrado na costa
Isto é o mais longe que eu poderia chegar

Se você for?
Se você seguir o seu caminho e eu seguir pelo meu
Será que somos assim?
Será que somos tão indefesos contra a maré
Baby, cada cão na rua
Sabe que estamos apaixonados pela derrota
Estamos prontos para tirados do chão
E parar de perseguir
Cada onda que quebra

O mar sabe onde estão as rochas
E se afogar  não é pecado
Você sabe onde meu coração está,
O mesmo lugar que o seu tem estado
Sabemos que temos medo de ganhar
E assim acabamos antes de começar
Antes de começar

Se você for?
Se você seguir o seu caminho e eu seguir pelo meu
Será que somos assim?
Será que somos tão indefesos contra a maré
Baby, cada cão na rua
Sabe que estamos apaixonados pela derrota
Estamos prontos para tirados do chão
E parar de perseguir
Cada onda que quebra



Ao longo da vida, todas as pessoas se identificam com algum tipo de arte, seja o desenho, a pintura, a música, o teatro, a dança, o cinema, etc. Mesmo que a pessoa não produza arte, é simplesmente impossível não se identificar com algum tipo de manifestação, pois a arte é a expressão da cultura, que é o que nos identifica como seres humanos e diferencia as diversas culturas da sociedade.

É errado, porém, dizer com certeza que certo produto artístico tem um significado único. Cada pessoa, ao apreciar uma pintura, ao ouvir uma música, ao assistir um filme, terá uma sensação e uma percepção diferente daquela obra, pois a arte fala diretamente com o espírito individual. Mesmo que o artista tenha elaborado sua obra por um motivo específico, o expectador que não conhece as razões do artista, ou mesmo o que conhece, pode se apropriar daquela arte para simbolizar algo totalmente novo e particular para ele.

Claro, tem muita coisa por aí que é tão descarada que fica difícil dar um significado diferente do que a letra fala (alguém já leu a letra e a tradução de um sucesso do momento, “Wiggle Wiggle”?). Mas grande parte do que tem em arte por aí permite ao apreciador dar o seu valor, a sua interpretação. 

Quis falar um pouquinho antes de falar sobre a música do U2, “Every breaking wave”, do novo álbum deles, o Songs of Innocence, lançado numa campanha viral pelo ITunes, que disponibilizou para download gratuito o CD completo para todos os usuários do programa. É engraçado ver a reação exacerbada das pessoas, muita gente ficou indignada, se sentindo invadida, violada, mas, sinceramente, gostaria que um décimo das coisas que aparecem de graça na vida da gente fossem parecidas com um presente como este. Enfim…

O Songs of Innocence é um álbum muito pessoal, e as músicas estão todas relacionadas com o início da banda e as histórias dos integrantes, que estão juntos desde o início há quase 40 anos. Mas, como falei sobre como as interpretações de obras artísticas, incluindo músicas, são pessoais, vou dar meus palpites a respeito da música que mais me cativou, “Every breaking wave”, a segunda do álbum.

Pensando que se trata de algo biográfico, a impressão que tenho é a de que a banda esteve, em algum momento lá no início, na corda bamba, sem saber se iriam em frente pelo medo de fracassar ou se recuavam e não se arriscavam a passar por um vexame. Bom, a carapuça serviu pra mim. Quem não tem um sonho na vida, e acaba escolhendo não gastar energia com esse devaneio para não correr o risco de se frustrar? Eu fiquei assim por muito tempo, com medo das negativas. Mas finalmente me dei conta… Não tem aquele ditado, “quem não arrisca, não petisca”? Pois é. 

Só que, às vezes, insistir em algo por muito tempo e ver que tudo o que se faz não dá resultados, pode ser danoso e se transformar em obsessão, por isso. É preciso aceitar a derrota, do mesmo jeito que é preciso insistir nos sonhos sem prejudicar a si mesmo ou aos outros. E, quando conseguimos alcançar nossos sonhos, até a vitória pode assustar. Conquistar algo que se buscou por tanto tempo e se ver, de repente, sem uma meta, pode ser tão perturbador quanto não concretizar um sonho. Complicado, né? 

No meu caso é conseguir reconhecimento pelos meus livros, mas o sonho de muita gente é ser um jogador de futebol, fazer sucesso na música, passar num concurso de juiz. Por isso encontramos tanta gente que virou a cabeça depois de chegar ao topo dos seus sonhos, enquanto outros entram em depressão por não alcançar o que mais querem, e, nos dois casos, deixam de perceber que o caminho até a vitória ou o fracasso é que é a verdadeira conquista. Quando se entende que chegar lá é só parte de um todo, ou se aceita que não vencer não significa fracassar, o medo de tentar se torna menor. Afinal, “O mar sabe onde estão as rochas / E se afogar não é pecado”; e “Sabemos que temos medo de ganhar / E assim acabamos antes de começar”?

Bom, essa é mais ou menos minha interpretação do que trata a música e do que ela representa pra mim (todas as noites sonhando com meu livro prontinho, publicado por uma livraria grande, com meu nome na capa, mesmo sem conseguir me esforçar o bastante para terminar de escrevê-lo; hoje, enfrentando as rochas do mar, aceitando que a maré pode vir, tentando perder o medo de ganhar ou perder).

Ah! A foto… A maioria das músicas que ouço pela primeira vez me remete a alguma imagem. No caso desta música, foi uma praia deserta, de ondas altas e céu cinzento, e um pássaro grande meio depenado tentando alçar voo e enfrentando uma rajada de vento que o fazia voltar ao chão. Não tenho a imagem do pássaro, mas esta foto foi tirada em um dia nublado em Búzios, em 2013.

19 de set. de 2014

Algumas palavras sobre Bhardo e Pargaia

Provavelmente os poucos gatos pingados que ainda aparecem de vez em quando nas estatísticas por aqui ou vieram conferir se, por algum milagre do destino, coloquei alguma novidade no blog, ou simplesmente digitaram alguma coisa no google que os direcionou para cá. É, tenho que admitir, a cosia anda meio parada...

Mas, na verdade, tenho tido bastante trabalho pra tentar colocar em ordem meu plano mirabolante de conquistar o mundo... Bom, talvez não o mundo todo, mas pelo menos alguns leitores. Há alguns meses venho trabalhando feito uma doida e disciplinadamente, na conclusão de mais dois livros de fantasia (sim, dois, coisa de doido mesmo, não?).

Para quem não sabe, os desenhos e a jardinagem não são meus únicos hobbies. Sou escritora e, depois de algumas portas na cara misturadas com uma medida irracional de timidez, decidi não esperar mais que uma estrela cadente atendesse meus pedidos e me mandasse um olheiro que descobriria meu trabalho e o levaria ao mundo todo. Decidi fazer a coisa por mim mesma.

A tarefa não tem sido fácil, já que ser escritor no Brasil não costuma pagar as contas de muita gente, e não dá pra simplesmente largar o trabalho e dizer que "escritor" é sua profissão. Viver do que se escreve é um sonho que se realiza para poucos, e quando se fala de se lançar como autor independente a coisa piora, porque aí não é só escrever que dá trabalho, mas principalmente divulgar.

Bem, depois do lançamento de "A fantástica história do Mundo de Bhardo - Octoforte e os Objetos Supremos - Parte I" em 2012 com muito trabalho e um punhadinho de vendas, lancei "A fantástica história do Mundo de Bhardo - Octoforte e os Objetos Supremos - Parte II"em 2013, que teve bem menos empenho meu na divulgação e vendeu ainda menos. Seria de desanimar, mas como sou teimosa, e algumas vezes penso que me falta apertar os parafusos certos dentro do cérebro, resolvi não desistir e insistir num grande plano de marketing digno do Pink e do Cérebro.


Na verdade, o plano não é tão grande assim, até porque falta-me o cacife de uma mega-editora-master-global-transcedental, mas envolve, em primeiro lugar, me organizar. Assim, desativei os blogs "Mundo de Bhardo" e "The World of Bhardo", pois estou montando um site exclusivamente dedicado ao Mundo de Bhardo. Mas vou manter Pargaia ativa, e espero que logo as taxas de visitação cresçam um pouco, à medida que for adicionando conteúdo. Vou migrar para cá algumas informações que havia nos outros blogs, e continuar a publicar trabalhos não relacionados com meu mundo de fantasia. Espero que fique bom, mas aceito sugestões o tempo todo.



Para não deixar este post com ar de quem promete mas não mostra nada de bom, mando uma imagem em que trabalhei do meu Dominique de Crimehuór, um gênio dos ventos personagem dos meus livros.

Resolução original aqui: http://livia-stocco.deviantart.com/art/Dominique-483940375

Até breve!