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10 de fev de 2015

A Pedra Celestial - Resenha



A pedra celestial – Daniel Monteiro

Sinopse

Após anos do desaparecimento do homem sem signo, Ivan, um jovem errante que esconde seu passado, se une à tripulação do Capitão Balboa numa viagem marítima em busca de riquezas escondidas. Superando diversos obstáculos, a longa viagem finalmente leva os marinheiros até Namal-te-Raan, uma ilha misteriosa e tropical, cujos segredos são mais valiosos que qualquer moeda de ouro ou prata. Acompanhe Ivan na aventura que revelará toda a história de como o mundo foi privado do seu equilíbrio natural desde épocas imemoriais e descubra a importância e a razão da existência do maior de todos os enigmas: a Pedra Celestial.



Considerações


Nas primeiras páginas do livro, o autor nos promete muita aventura. E ele não decepciona: desde a primeira página, somos arrastados para lá e para cá junto com Ivan, o jovem que acaba de se juntar à tripulação de marinheiros do navio do Capitão Balboa que, puxados por aquáticos — seres humanoides que vivem sob as águas e são muito mais fortes que os humanos comuns — chegam a Namal-te-Raan, uma ilha tropical cheia de segredos, onde os homens esperam encontrar tesouros incalculáveis.

No entanto, Namal-te-Raan não é uma ilha inabitada, e quase imediatamente a tripulação do navio arranja confusão: ao perseguirem Nora-Celtah, uma bela jovem impetuosa, acabam cercados por guerreiros do povo misteriosos que vive na ilha, e são feitos prisioneiros. No caminho para o cárcere, Ivan consegue fugir, mas, desta vez, é Nora-Celtah quem o persegue. Sua corrida desabalada o leva ao território de outros seres da ilha, humanoides peludos e com cauda, a quem o povo de Namal-te-Raan chama de uroncions

Feito prisioneiro, Ivan acaba começando uma amizade com Nora-Celtah. Ao ser interrogado, os uroncions descobrem que Ivan veio de Maacian, onde se encontra algo que eles querem muito, e dizem que não vão libertá-lo até que o rapaz conte onde está, ainda que Ivan diga que não sabe do que estão falando. Então, para escapar, Ivan precisa invocar um poder misterioso que lhe concede energia sobre-humana vinda da lua, e quebra a jaula em que está preso.

O que ele não imagina é que sua fuga pode desequilibrar a harmonia do convívio entre os humanos e os uroncions, pois eles ofereceriam os prisioneiros para barganhar a chance de nadar no Poço de Gadu e conseguir tirar de lá a Lança Dourada, uma arma que, segundo a lenda, só será conquistada pelo herói que trará equilíbrio ao mundo.

Em sua fuga, o caminho de Ivan acaba cruzado com o de Velho Cid, um meio homem meio aquático que vive como eremita na ilha. Por algum motivo Velho Cid se afeiçoa a Ivan e passa a ajudá-lo. Mas Ivan acaba novamente capturado pelos humanos, e lhe é dada uma escolha, a mesma dada a todos os seus companheiros de viagem: morrer de uma vez ou tentar a sorte mergulhando no profundo Poço de Gadu. Se ele trouxesse a Lança Dourada sua vida seria poupada e ele se tornaria um herói.

Como estamos falando de um herói, naturalmente Ivan consegue alcançar a Lança Dourada, apesar de ter recebido ajuda de uma mão misteriosa subaquática. No entanto, achando que vai fazer algo certo, Ivan destrói uma relíquia dos uroncions com a lança, e a magia liberada é tão poderosa que destrói toda a cidade dos humanos e faz brotar uma bizarra árvore de pedra.

Pela destruição da cidade, Ivan é novamente sentenciado à morte, mas o Velho Cid interfere e promete treinar o rapaz com sua arma mítica no lado proibido da ilha, onde vivem as criaturas que assombram tanto uroncions quanto humanos, fazendo com que ele finalmente se torne o herói que deve ser. Resignado, Ivan se torna um homem forte e, com a proteção de seu misterioso poder da lua, parte para a jornada final na ilha, com o objetivo de destruir, de uma vez por todas, o artefato mágico que mantém vivos os mortiços – os inimigos comuns das raças que habitam a ilha, e que, para mim, são parecidos com zumbis. 

Esse panorama é apenas uma leve pincelada na história, pois “A Pedra Celestial” tem tantas aventuras quanto o autor promete em seu prelúdio. Como eu já conhecia o livro anterior do autor, não foi surpresa encontrar um cenário totalmente divorciado de tudo o que encontramos por aí em termos de fantasia: Daniel Monteiro tem espécies originais, e suas aventuras são permeadas por influências tão diversas que criam um ambiente único. A trama também é original: embora os elementos mágicos estejam presentes, Ivan usa mais astúcia e perícia do que propriamente magia para enfrentar seus desafios. A saga do herói, que precisa colocar o bem de todos acima dele mesmo, está presente, mas Ivan também é impulsivo e rebelde, às vezes, e contesta os ensinamentos de seu mestre mesmo que, no final, acabe compreendendo o que o Velho Cid quer passar. 

Sobre a parte textual, por ser um livro de autor independente, normalmente esperamos encontrar alguns buracos, lapsos na trama que ficaram esquecidos, ou muitos erros de gramática. Nada disso existe n’A Pedra Celestial, que é sutilmente conectado com o livro anterior, “O homem sem signo”, sem, contudo, depender dele para se sustentar, e a sensação que tive foi de ler um livro pronto para o público, o que prova o quanto a narrativa de Daniel Monteiro evoluiu do primeiro para o segundo livro.

Recomendadíssimo para todos aqueles que gostam de aventura, ação e fantasia. E para mim, que já li, só me resta esperar o encerramento desta saga chegar.

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