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2 de fev de 2015

'Salem - Resenha



‘Salem (A hora do vampiro) – Stephen King
Sinopse
Ambientado na cidadezinha de Jerusalem`s Lot, na Nova Inglaterra, o romance conta a história de três forasteiros. Ben Mears, um escritor que viveu alguns anos na cidade quando criança e está disposto a acertar contas com o próprio passado; Mark Petrie, um menino obcecado por monstros e filmes de terror; e o Senhor Barlow, uma figura misteriosa que decide abrir uma loja na cidade.




Nasci em 1985, muitos anos depois, portanto, de Stephen King começar a fazer sucesso. Conheci sua obra primeiramente através dos filmes, e mesmo sabendo que o autor era considerado um mestre do terror e tendo tanto gosto pela leitura, só mais tarde seus livros começaram a chegar às minhas mãos. ‘Salem, originalmente chamado “A Hora do Vampiro”, esteve em minha companhia recentemente, e posso dizer que se você gosta de sentir calafrios, este é o livro certo.

Tecendo uma trama intrincada entre os moradores da cidadezinha Jerusalem’s Lot, King nos leva a conhecer o caráter não apenas dos personagens principais, mas de uma quantidade absurda de personalidades que vão sendo acrescentadas com naturalidade à história, dando ao leitor a mesma sensação que tem o protagonista: um forasteiro que, apesar de ter passado alguns anos da infância na cidade, pouco conhece das pessoas, e vai assimilando-as aos poucos. 

A história se desenvolve em torno de Bem Mears, um escritor que retorna à cidade em que passou a infância para conseguir inspiração para escrever um livro — esta é a versão que ele dá para todos, mas, à medida que avançamos nas páginas, descobrimos que há mais no passado de Ben que o motivaram a voltar à cidadezinha. E, enquanto trabalha a visão do protagonista dos acontecimentos estranhos que rondam a cidade, King nos apresenta Mark Petrie, um garoto magricela e meio nerd, que acaba sendo o primeiro a entender o que está acontecendo; o Padre Callahan, cuja fé está enferrujada, e que deseja ardentemente colocá-la à prova; Susan Norton, a garota que deseja sair do interior e ir para a cidade, entre vários outros, inclusive o misterioso e também forasteiro Senhor Barlow, que ninguém nunca vê e que chegou à cidade com a intenção de abrir uma loja de antiguidades, e que comprou a horripilante Mansão Marsten no alto de uma colina, cenário de vários acontecimentos trágicos no passado e onde ninguém quer por os pés.

Pra quem está acostumado com vampiros que brilham e só bebem sangue sintetizado em laboratório ou de bolsas roubadas de bancos de sangue um aviso: os vampiros de King têm a essência das histórias de terror originais. O pavor provocado pela simples presença deles é tão real, tão visceral, que o leitor que se arriscar a ler ‘Salem sozinho na calada da noite pode ter problemas com os pequenos ruídos que a madeira produz. King não apenas descreve com minúcias a sensação de pânico absoluto como o faz mergulhar nela, transformando o simples ato de olhar pela fresta de uma porta entreaberta num gigante ato de bravura. Com primazia, as histórias individuais de cada personagem que, inicialmente, poderiam parecer dispersas, convergem para um único ponto, um clímax terrível e impressionante, capaz de fazer a geração que só conhece vampiros “bonzinhos” entender o temor causado pelas lendas medievais envolvendo essas criaturas. O leitor se sente parte da história, parte do mistério, e se vê torcendo para que amanheça de uma vez e as sombras voltem para seus esconderijos. 

Sem dúvida, um dos melhores livros que já tive nas mãos, recomendado não apenas para quem gosta do gênero, mas para quem gosta de escrever e perceber os recursos narrativos usados pelo autor para amarrar uma história tão complexa como esta. Não é de se admirar que tantos filmes e jogos de terror (meu favorito Silent Hill, por exemplo), tenham tanta inspiração nas obras de King.

Ah, só uma nota: assim que tive o livro nas mãos não entendi porque a nova versão apresentar o título “ ‘Salem”, ao invés do original “A hora do Vampiro”. Achei que o novo título ficou vago, Salem remete à Idade Média e a bruxas, não a uma cidadezinha perdida e quase contemporânea. Mas estou com “Sombras da Noite” em mãos, e King visita novamente Jerusalem’s Lot, e descobrimos que há mais nas sombras de ‘Salem do que apenas as trevas dos vampiros. Enfim, não sei o por que da mudança do título, mas agora, quando vejo algo com Jerusalém ou Salem no nome, é Stephen King que me vem à cabeça.

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