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10 de nov. de 2014

CANÇÃO DE ALERTA



Todos fazemos referência direta ou indiretamente a pessoas que conhecemos e a histórias que vivemos ao escrever uma história. A “Canção de Alerta”, música entoada pelas maellem’z – espíritos dos afogados - antes das sentinelas ingressarem no lago da sereia Yara (MdB – Os Objetos Supremos) é um desses trechos que não surgiu por acaso.
Em primeiro lugar, tenho que contar que não sou a primeira escritora da família. Meu avô escreveu dois livros sobre suas viagens pelas rodovias pouco desbravadas do Brasil à época dele, uma em especial, a “Transbrasiliana”. Também era poeta, e escrevia poemas para minha avó (romântico, não?). E minha avó, também poetisa, tem um livro publicado além de centenas de poesias que saíram nos jornais de Rio Bonito e região ao longo de décadas.
Lembro, quando eu era criança, de alguns versos de uma canção que ela costumava cantar para os netos quando estávamos na casa de Iguaba Grande, onde eu costumava passar as férias. Era mais ou menos assim: “Nossa Senhora vem com os anjinhos a remar… Rema, rema, pescadores… Que essas águas são de flores…” Sempre que ouvia essa música uma imagem me vinha à cabeça: pescadores em solitárias canoas, navegando por rios de água verde cobertos de flores, com faias de árvores preguiçosas pendendo às suas margens. Era uma visão que me acalmava e induzia ao sono, ao sonho.
Quando escrevi sobre a entrada das sentinelas no território de Yara, e sobre como os jovens Márcio e Shenu caíram nos encantos da sereia, eu sabia exatamente como deveria ser o rio e o lago da sereia, e me ocorreu essa música, que se transformou nos versos que compõem a “Canção de Alerta”, que os espíritos que vivem nas águas cantam para os três viajantes.
“’Onde vai pescador?
 Que essas águas são de flor!
‘Onde vai pescador,
Se não vai para pescar?
‘Onde vai pescador?
Não macule essas águas!
Que essas águas, que essas águas,
Que essas águas são de Yara.

‘Onde vai pescador?
Volta para tua casa!
‘Onde vai, onde vai?
Volta ao reino dos mortais!
‘Onde vai pescador?
É melhor que vá embora!
Que essas águas, que essas águas,
Que essas águas são de Yara.

Porque entrar no rio que pertence à mãe d’água
É jogar-se à perdição e levar a vida a nada.
Vá-se embora, pescador, não macule essa morada
Que essas águas, que essas águas,
Que essas águas são de Yara.”

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DISCIPLINA E ORGANIZAÇÃO



Todas as pessoas têm uma série de qualidades que as abonam para alguma coisa, mas posso dizer que disciplina e organização não costumavam ser as minhas. Eu não me lembro de jamais ter deixado de entregar um trabalho ou uma lição da escola, mas normalmente terminava os exercícios na classe, minutos antes do professor recolher os trabalhos. Em casa, deixava minha mãe louca com o “já vou”. “Já vou recolher a roupa espalhada”, “já vou lavar a louça”, “já vou guardar as minhas tralhas”. A maior parte do tempo eu estava sempre no mundo da lua (ou deveria dizer no Mundo de Bhardo?). Mas, alguns anos atrás e já adulta, alguns fatos na vida me fizeram repensar e colocar a cabeça no lugar. 

Aconteceu o seguinte: depois de alguns anos trabalhando numa empresa privada, pedi demissão para trabalhar por conta. Não deu certo, entrei em outra empresa privada mas, antes de completar um ano, me vi sem emprego. 

Na época eu tinha vinte e três anos, um diploma na gaveta e nenhuma perspectiva. Preciso esclarecer: a cidade em que moro tem três universidades e uma população média, há um grande número de estagiários e pouquíssimas chances de crescimento profissional, isso em diversas áreas. E eu estava noiva, não desejava me mudar, nem teria condições de me manter em outra cidade por muito tempo à procura de emprego.

Ansiosa, recebendo as parcelas do seguro desemprego e enviando currículos para a cidade inteira, a última coisa que me passava pela cabeça era escrever. Então tomei uma decisão acertada, que não só acabou por resolver meu problema com o trabalho, como também transformou meu modo de planejar diversas coisas, inclusive a escrita: resolvi estudar para concursos.

À princípio a ideia era só passar em uma prova, o que significa acertar pelo menos a metade, um jeito de provar a mim mesma que eu podia ser boa em alguma coisa e, assim, elevar minha auto estima. Fiz do estudo meu trabalho, e peguei uma porção de dicas de como criar uma rotina eficiente. Separei as matérias para os concursos, dividi o número de páginas que precisava ler pelos dias que tinha até a prova, obriguei-me a estudar oito horas por dia, em turnos de cinquenta minutos com paradas de dez. Naquele primeiro concurso fiquei em 7° lugar de 186 pessoas, mas a chamada parou no 4° colocado, e expirou sem que nem ele tivesse assumido a vaga.

A boa colocação me deu ânimo para continuar prestando concursos e ingressei no serviço público em 2009, setor em que trabalho até hoje no terceiro cargo para o qual fui chamada. Criar um plano de trabalho se tornou algo tão prático e eficiente que hoje eu consigo aplicar aos meus textos — e é com esse planejamento que comecei a minha conspiração para dominar o mundo (dos leitores, claro).

Aos poucos vou colocar os cronogramas que eu utilizo, os rascunhos, as tabelas e, se algo servir para você, aproveite. Se não servir, bom, serve como prova do grau de obsessão a que uma escritora pode chegar para levar sua história ao fim — e, de preferência, ao leitor.

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8 de nov. de 2014

A Incendiária – Stephen King (Resenha)


Sinopse

Andy McGee e sua esposa Vicky foram usados numa experiência secreta enquanto eram adolescentes. Eles acabaram se casando e tendo uma filhinha, Charlene "Charlie" McGee. A menina acabou herdando os genes modificados dos pais, e nasceu com o dom da pirocinesia, que significa que ela pode atear fogo em tudo que quiser.

Charlie, como é pequena, não sabe controlar seus poderes, e acaba sendo avistada pela Oficina, uma sociedade secreta que investiga e explora humanos com poderes especiais. O livro já começa com Andy e Charlie (Vicky foi assassinada pelos capangas da Oficina, como lido em um flashback) fugindo de seus algozes.
A trama continua com a fuga desesperada de um pai tentando de todas as maneiras salvar a filha, contando com a ajuda de uns, Andy percebe que para escaparem dessa, Charlie talvez tenha que usar seus poderes para matar.

Em seu encalço está o melhor agente da Oficina, Rainbird, um estranho índio que quer matar Charlie e olhar nos seus olhos, pois acredita que terá uma grande revelação por ela ser especial.
As chances de sobrevivência são mínimas, mas Andy e Charlie não desistirão sem lutar.
Fonte: http://www.skoob.com.br/livro/4617-



Considerações

Da primeira vez que tive A Incendiária nas mãos não tive coragem de ler. Na ocasião eu tinha em mãos este livro e Tripulação de Esqueletos, do mesmo autor, uma coletânea de contos de terror que me garantiram noites de pesadelos durante bons meses. Meu irmão ficou com A Incendiária enquanto eu me recuperava de histórias tão arrepiantes que hoje, cerca de dez anos depois, ainda me causam espanto. Acho que só este relato já é uma propaganda suficientemente boa para dizer que Stephen King é um mestre. Falta uma capa melhorzinha, porque, mesmo não podendo julgar um livro pela capa, é fato que as capas ruins não atraem muitos leitores.

Diferente do conhecido terror de King, A Incendiária tem uma pegada mais thriller, de suspense, se tornou um Best Seller na época de lançamento (1980), e só lendo para entender o porquê. É fabuloso ter nas mãos um sucesso tão grande, e poder buscar inspiração no modo como o autor vai, pouco a pouco, nos aproximando de seus protagonistas, e nos fazendo amá-los e torcer por eles.

A trama gira em torno de Andy e sua filha de sete anos. No passado, Andy participou de um macabro experimento com uma substância desconhecida, que lhe proporcionou a capacidade de expandir o poder de sua mente. Após a experiência e contra todas as previsões dos pesquisadores, Andy e Vicky, ambos cobaias, se apaixonaram e se casaram, e têm uma filha chamada Charlie, que desde bebê já demonstra ter estranhos poderes. Charlie pode provocar incêndios, e tamanho é seu poder que Andy a ensina não usar jamais aquela força, temendo que ela coloque fogo em si mesma. Porém os pesquisadores da Oficina, órgão secreto ligado ao governo, que fizeram os testes no casal, jamais deixaram de monitorá-los e, num determinado dia, investem contra a família com o único objetivo de capturar Charlie.

A história começa já na fuga de Andy e Charlie, e desde o início descobrimos que os poderes de Andy não são ilimitados, pois lhe causam uma dor excruciante e incapacitante de cabeça. Por vezes, Charlie é quem ajuda o pai a se manter alerta, mesmo sendo apenas uma criança pequena. Durante a fuga, Charlie demonstra seu talento apenas algumas vezes, só quando não há outra opção, mas quando acontece, sabemos que ela não tem controle sobre seu dom, e que ele pode ser ainda maior do que conseguimos vislumbrar, mesmo como leitores. Após ser capturada e feita prisioneira, acompanhamos o sádico Rainbird, um índio mercenário que deseja a satisfação de ele próprio tirar a vida da menina, para tentar descobrir, assim, algum sentido para a própria.

A comparação com outro sucesso fenomenal de King, Carrie, a Estranha, é inevitável, já que as duas personagens são garotas com poderes psíquicos. No entanto, Carrie vai mais para o lado do terror, enquanto, para mim, Charlie fica no suspense e na ação. Além disso, Charlie é uma criança, e conseguimos enxergá-la como tal pela maneira como o autor consegue retratar suas mudanças psicológicas típicas da infância: se no início a palavra do pai é a lei, à medida que ela cresce pequenos conflitos internos começam a transparecer, ainda marcados pela dualidade que existe na psique infantil: o certo é certo e pronto, e o errado é errado e pronto. Conseguimos compreender a culpa que a garota sente ao começar a usar sua força, mesmo contra os desejos de seu pai, e também o prazer que ela tem ao conseguir controlá-la, e é possível estabelecer comparações de como os adolescentes começam a experimentar e se esbaldar com pequenos prazeres proibidos a ela na infância e concedidos quando começam a se tornar maduros o suficiente para desfrutar deles: fazer uma compra sozinhos, usar maquiagem, depois beber, dirigir, etc. Charlie consegue passar esta excitação quando começa a desfrutar de seus próprios talentos, antes proibidos.

Andy é um personagem um tanto ingênuo, coisa que podemos perceber desde que se voluntariou para o experimento que lhe deu capacidades paranormais, pois, apesar de suspeitar dos pesquisadores e do que teria acontecido realmente durante o teste, não lhe passa pela cabeça ter continuado a ser monitorado até que a Oficina mata sua esposa. A descrição das dores de cabeça de Andy me fez criar uma simpatia enorme pelo personagem, pois me lembrei das minhas piores crises de enxaqueca exatamente daquele jeito (só que sem os poderes de dominação mental que o cara tem, né?). O autor consegue nos fazer torcer pelos mocinhos de tal forma que, apesar de conseguirmos ver o lado dos vilões a respeito da ameaça que Charlie representa, nós desejamos que ela seja vitoriosa, e torcemos pra que ela ponha fogo em tudo o que encontre pela frente. E, depois de uma fuga exaustiva e um confinamento injusto, o clímax do livro é exatamente da forma como todo leitor vai desejar: épico.

O livro é envolvente, a narrativa vai e volta no tempo, dando novas nuances aos personagens e informações sobre a trama e, para os fãs das continuações, seria possível encaixar uma a partir do finalzinho, muito embora isto não seja absolutamente necessário. Tanto que o livro é apenas um, uma história com começo, meio e fim e, no entanto, foi feita uma adaptação para o cinema, com a atriz Drew Barrymore ainda criança interpretando Charlie (Chamas da Vingança, 1984), e uma continuação, que dá continuidade à história original, mas que não é de Stephen King (Vingança em Chamas, 2002).

Para completar e provar que a história é mesmo boa, em maio deste ano a TNT anunciou a produção de uma série televisiva inspirada no livro, “The Shop”, que trará Charlie de volta à ativa, agora adulta e procurando desmascarar os planos da Oficina, mesma organização que fez experimentos em seus pais e acabou criando A Incendiária (fonte: http://www.kingofmaine.com.br/noticias/a-incendiaria-sera-adaptada-pela-tnt/)

Quem tiver a oportunidade não pode deixar de ler este clássico de King. E, como a história continua quente por aí, talvez chegue logo uma nova edição às livrarias, com uma capa mais interessante. Não perca a oportunidade de conferir esta história!



5 de nov. de 2014

Diana, sentinela da terra



Esta é Diana, a loirinha falante sentinela da terra. Namorada de Pablo, ela cresceu em Octoforte, tem muito talento culinário e às vezes fala demais, mas seu coração é cheio de ternura.

A imagem completa está na minha página do deviantart:
http://livia-stocco.deviantart.com/art/Diana-492370098

Conheça outros personagens em: www.bhardo.net


O PRIMEIRO OBSTÁCULO DE UMA ESCRITORA...

(...que quer dominar o mundo!!!)

Como já mencionei anteriormente, o Mundo de Bhardo foi semeado numa mente imatura e infantil, e germinou junto com minha adolescência. Natural, portanto, que a história tenha passado por tantas fases quanto eu, e que o enredo tenha demorado tanto para se solidificar.

Mas, mesmo depois que minha própria transição de criança para adulta já tinha se estabilizado (não vou dizer terminado porque ainda ouço muita gente dizer que sou uma criançona para certas coisas), enfrentei um grande obstáculo, o maior e mais cruel, o qual todos os escritores de que já ouvi falar já enfrentaram em algum momento de suas carreiras: eu mesma.

O primeiro e maior desafio que uma pessoa comum enfrenta antes de poder dizer que é realmente um escritor é a própria determinação. Escrever pode parecer romântico nos livros e filmes — você, seu laptop (máquinas de escrever podem parecer nostálgicas, mas arrebentam com os dedos e com os ouvidos, então vamos modernizar), uma caneca com cappuccino e uma varanda num lugar bucólico — mas, no geral, este não é o cenário em que nem um milésimo de livros é elaborado. A maioria mais que esmagadora dos escritores começa a carreira escrevendo à noite, depois de um expediente de oito horas ou mais de trabalho, tendo que tomar cuidado para o bater das teclas não incomodar demais os pais, irmãos, esposo ou filhos, e tomando cuidado para não extrapolar demais no horário porque tem que levantar cedo no dia seguinte.

Encontrar motivos para escrever neste cenário não é muito fácil, e via de regra “melhorar de vida” não é um deles. Embora muito se diga que em outros países o mercado editorial é melhor que no Brasil, eu participo de algumas comunidades estrangeiras de escritores e tem gente do mundo inteiro que sempre repete o bordão: não tá fácil pra ninguém.

Então, por que escrever? Essa pergunta me atormentou por um longo tempo, tanto que houve um momento em que eu simplesmente abandonei meus textos (não os queimei nem joguei fora, só os guardei num canto) pensando que eu precisava dedicar meu tempo a coisas que me garantissem um futuro melhor (leia: estudos e trabalho). Mas, como muitos escritores relatam, escrever não é uma opção, é um ato obsessivo, uma necessidade. Acontece que a história continua a existir num cômodo escondido da mente do escritor e, se ele não a coloca pra fora, os personagens começam a criar tentáculos e envolver os sonhos e o imaginário dele, podendo levá-lo à loucura. Ou simplesmente ela apodrece, e transforma aquele espírito numa alma amarga.

Bom, provavelmente aquele que não encontra motivos para escrever suas histórias simplesmente se esquece delas e ponto final. Mas eu não consegui fazer assim. Volta e meia meus personagens teimavam em bater na porta e eu me via obrigada a pensar que os tinha abandonado, e que eles mereciam sair de onde estavam.

Então, uns anos atrás, resolvi entrar numa luta pessoal contra minha metade racional e me organizar pra colocar tudo no papel. A inspiração é mesmo só um por cento da coisa! Transpiração é o que faz o livro acontecer. Mas, com uma boa dose de sacudidas no espírito, um pouco de cafeína e alguma diversão no meio do trabalho, dá pra fazer a magia acontecer.

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3 de nov. de 2014

Danilo contra o Senhor das Moscas - Resenha



AUTOR BRASILEIRO!!!

Sinopse

Danilo é um jovem comum e cheio de problemas com Deus.
Clara a menina pela qual ele é apaixonado, nem sabe que Danilo existe na sua igreja. Sua mãe Ana, é uma mulher que já perdeu a fé há muito tempo, com a morte prematura do seu marido que ela julga ser culpa do Todo - Poderoso.
Em meio a isso tudo, apenas uma pessoa deve ser culpada: "Deus", mas depois que Danilo é expulso da faculdade por uma coisa que ele não cometeu, estava na hora de julgar Deus pelo seu descaso com ele. Chegando na igreja para bater o último papo com o "Irresponsável", acontece uma surpresa, um anjo aparece para Danilo com uma missão do céu, salvar Clara de um destino terrível e desconhecido. Danilo aceita, mas ele não sabe que para isso terá que derrotar sete demônios.
Fonte: http://www.amazon.com.br/Danilo-Contra-Senhor-Moscas-Livro-ebook/dp/B00F2OUFJ0/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1406921286&sr=8-1&keywords=danilo+contra+o+senhor+das+moscas



Considerações
Antes de começar a leitura há uma advertência no livro: “Esta é uma obra de ficção, não tendo sido feita para fins de estudos religiosos”. Preciso dizer que esta frase é totalmente desnecessária, já que sua única função é a de afastar possíveis leitores que imaginam que, independente do que está na frase, com certeza há um panorama religioso por trás da história.

Vamos ao livro. Comecei com o pé atrás justamente por causa da tal frase, mas a escrita fluída e por vezes divertida do autor me envolveu rapidamente. Danilo é um rapaz evangélico, que tem sua fé testada quando se depara com um desafio: aceitar uma missão trazida pelo anjo Ezequiel, que também não sabe exatamente o que acontece caso Danilo falhe. Nesta tarefa ele deverá lutar contra sete demônios com armas que ele não sabe quais são, para salvar sua amada de um destino cruel — que ele não sabe qual é.

Embora eu já tenha visto este enredo algumas vezes — uma pessoa de fé é testada aos limites e obrigada a enfrentar demônios que querem convencê-lo de que Deus não liga para as pessoas — Danilo contra o Senhor das Moscas me surpreendeu. Me lembrei de histórias como Constantine e O Sétimo Selo, filme de Bruce Willis, mas o cenário dogmático da igreja evangélica foge dos habituais crucifixo, água benta e terços para afastar o demônio, o que é um diferencial. O anjo Ezequiel é divertido, tem sua fé inabalável, mas faz parte da classe mais baixa da hierarquia dos anjos, o que não o torna um super anjo protetor, mas mais um amigo também em busca de respostas, como Danilo. O herói, por sinal, não é nenhum exemplo de perfeição. Ele questiona a fé, é preguiçoso, briga com o amigo e provoca o valentão da classe por motivo nenhum. Os diálogos são interessantes, por vezes engraçados. As cenas de ação são empolgantes, e o final, como não poderia deixar de ser, deixa um gancho bem armado para a continuação. Também pudera, Danilo tem que enfrentar sete demônios, e o livro se apenas trata da batalha contra o primeiro deles. Não vi nenhum erro de coesão ou coerência na história, algo tão comum em outros textos, tudo acontece direitinho, e o leitor consegue acompanhar o personagem sem esforço, como se estivesse ao lado dele.
Se posso fazer algumas críticas, estas são as seguintes: há descrições detalhadas e desnecessárias sobre personagens que não fazem parte da trama, o que torna a leitura desses trechos um tanto aborrecida. A personagem Clara, motivo de toda a trama se desenrolar, não tem praticamente nenhuma participação na história, nem tem falas, apesar de alguns fatos inusitados ocorrerem bem diante dos olhos dela. Também, há um ou outro errinho de digitação, mas são pouquíssimos mesmo, o único erro maior que me chamou a atenção foi logo no início, quando se fala que a mãe de Danilo se formou em direito, mas abandonou a profissão e agora era assistente social. Não que isso não seja possível, mas ou ela trabalha como auxiliar num setor de assistência, ou fez outro curso, por que, pra ser assistente social, é preciso curso superior específico, e ignorar isso pode deixar alguns leitores indignados. E em alguns momentos, principalmente no início, as descrições sobre louvores e pregações podem ser suavizadas, caso o autor queira atingir um público mais eclético, porém isso é só um palpite, pois não sou evangélica e li todo o livro com gosto.
Danilo contra o Senhor das Moscas é um desses livros que me fizeram “enxergar” o que está acontecendo, e quando a imaginação consegue visualizar imagens tão brilhantes, é preciso aplaudir o escritor. Um livro interessante com um ótimo texto. Recomendo a qualquer um, e vou ficar de olho nos próximos trabalhos deste autor!

2 de nov. de 2014

Pablo Adenetti - Ilustração


Esta primeira ilulustração de uma das sentinelas de Octoforte já está na minha página no deviantART em alta resolução e também no site www.bhardo.net, na página de personagens. Pablo é a sentinela do trovão e, no início, ele tem muito receio de enfrentar uma jornada no mundo de Bhardo por causa de um trauma antigo. No próximo livro, no entanto, ele terá a vida virada do avesso ao se ver diante de uma responsabilidade gigantesca. Ah! Não vou contar o que é, é claro que não, mas está próximo o momento de você descobrir!

Fique ligado!

ORIGEM DE BHARDO

No início, quando a história ainda estava no diário cor-de-rosa, não havia um outro mundo, pelo menos não um tão bem estruturado. A história original se passava na Terra, e os personagens mágicos vinham de uma outra “dimensão”, um lugar algo indefinido, algo misterioso, algo sem forma. Aos poucos fui imaginando o que acontecia com estes personagens mágicos em seu próprio território, e assim começou a nascer Bhardo.

O nome veio de uma breve frase que ouvi no meio de um diálogo dentro de um seriado que eu não acompanhava, em um canal do qual jamais consegui me lembrar. Foi rápido: era um oriental que dizia que bardo (sem o “h”) é o nome pelo qual os budistas denominam um estado metafísico de consciência, uma espécie de purgatório por onde a mente transita quando está entre suas encarnações. Ao menos, foi assim que entendi.

Hoje sei as definições de bardo segundo o Budismo Tibetano, que você pode conhecer acessando: http://www.cteafaro.com/cteafaro/budismo_detalhe.asp?id=28 , e também sei que os “bardos” eram, na Europa antiga, “pessoas encarregadas de transmitir as histórias, as lendas e poemas de forma oral, cantando a história de seus povos em poemas recitados. Eram simultaneamente músicos e poetas e, mais tarde, seriam designados de trovadores. São a principal raiz da música tradicional irlandesa.” Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bardo, Acesso em 02/04/2013, 14:18h.  Esta última definição também me agrada, uma vez que nos remete aos tempos da baixa Idade Média e do Renascimento, incorporando ao imaginário todo aquele visual.

Gosto de alusões, homenagens, trocadilhos e explicações fantasiosas para lendas ou crenças . Usei uma “licença poética” para incorporar a palavra bardo às minhas fantasias, até porque a palavra se tornou tão presente e tão forte na minha mente que não conseguia imaginar meu mundo com outro nome. Adequei-a ao bhardanathé — língua geral do Meio do Mundo — acrescentando o “h”, pois como as letras “ i; z; a e l”, o “h” é uma das letras-base do idioma bhardano. 

Em bhardanathé, Bhardo significa “sombra”, e o mundo é minha versão de para onde vão os barcos perdidos nas Bermudas, os turistas desaparecidos na Serra do Roncador, ou para onde retornaram os deuses do Olimpo depois que suas vidas pararam de ser narradas. 

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